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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sopro

Foto de João Xavier
Sopro de coração adormecido
bambu no vento
em crescendo sentimento.
Chama volátil
beijos de vela
apagada no dia
que se vê nela.
Sorrisos cegos
 adormecidos
em campo de papoilas.
Vermelha é a cor
do sopro da flor
simples
singela
mas bela.
 Vermelha é ela
e é a cor
da dor
do amor...
Ela...

Manuela Barroso, "Eu Poético II"
                                                               

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Casa em ruínas




Abadia - Minho
 
Em escombros, a casa de uma herdade                                                                                                   
Pela pedra se vê que foi vistosa,
Como velhinha que, apesar da idade,
Ainda tem traços de que foi formosa.

É triste, por ser triste, de verdade
Aquela que foi nova, vê-la idosa.
Depois que se ultrapassa a mocidade
Não há vaidade que não perca a prosa.

O tempo acaba todo o ser vivente.
E o que é velho nunca mais renova
Por ser morte contínua, permanente.

E o que mais acaba e disto é prova,
É vermos a velhice a ver a gente,
Que, como a casa em ruínas, já foi nova.
                          
                                Florentino Alvim Barroso, "Vento e Ventanias"