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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ESPELHO

Em passeio
Num dia qualquer, num sítio qualquer de uma qualquer tarde de fim de verão, sentei-me numa qualquer bem situada esplanada de uma nossa cidade.
Como qualquer pessoa "bon goût et bon genre", bebericava o que uma linda tarde de verão pedia...enquanto passeava dentro de mim...
Os pensamentos entretinham-se com a imaginação...
Eu...e mais eu...
Ainda bem que não lêm, pelo menos para já, os nossos pensamentos...
Qual Wikileaks...
E o fim de tarde caía cálido, como cálidos eram os reflexos de luz.
E pensamentos e olhos pousaram naquele espelho de água que tão bem reflectia a serenidade que me invadia...
...E a quietude cá dentro, espelhou-se lá fora...
Linda e bela é a vida!
Obrigada Universo!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

PONTES

........... Algures em passeio .........
Eis o que une duas margens.
Eis o que une povos, paízes, famílias, afectos.
Uma ponte.
Ela pode ser o símbolo não só da união como o da passagem para um outro lado, em busca de alguma coisa que apazigue o nosso estado de espírito, ou a procura de nós mesmos à procura de paz, "solitude" sem ser solidão...
Uma solidão gostosa, que nos embale no silêncio das folhas, ou no silêncio do sonho...
Não pensar em desvios, nem curvas, nem contra-mãos, nem ruídos, nem prazos, nem rotinas,
nem urgências...
Tudo é urgente!
Quero passar para uma outra margem.
Sentar-me numa pedra musgosa o num paúl, encostada a uma árvore e...simplesmente deixar
fluir o pensamento, deixando-me invadir pelo Cosmos!
Simplesmente...
Ah! E registar o momento. Como foi o caso...
Tão simples...
E tão bom!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

ANOITECE

Em Passeio
Não é "A pálida luz da manhã de Inverno" de Fernando Pessoa, mas a luz quente de um fim de tarde algures por aqui...
Não fora uma pobre fotografia de amadora, e seria porventura uma bela imagem que tem tudo para me sentir feliz.
Uma casa Portuguesa, árvores como testemunhas vivas da Natureza, um céu azul pálido e
calmo como convém a um pôr de sol onde se recorta a imagem severa de um candeeiro anunciando a noite e o recolhimento!
E depois a luz...uma luz quente, acolhedora que entra no peito e se aconchega no coração...
Ah! Mas esta leitura não estaria completa se não voltasse à minha infância...
...Então, revisito a torre dos sinos da minha aldeia, e nasce uma imagem sinestésica: Cai a noite, e longe, cai também o som do sino da minha igreja, tocando as Avé Marias !
Foi dia. Agora anoitece.
Mas...
"Não há sol sem sombra e é essencial conhecer a noite"- A. Camus.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NA MINHA RUA


"Olha,
Ontem estive contigo ao colo.
Ouvi os os risos, os segredos e as aventuras que partilhavas com as tuas companhias.
Escreveste nas minhas costas o teu "tag". Mas eu não me esquecia de ti.
Estive sempre lá à tua espera com o sol tórrido ou o caír refrescante da noite.
Hoje estou mais só.
A chuva e o frio roubam-me de ti.
Agora sou a cama das folhas que dormem comigo.
Estou deserto de ti. Mas não das pombas e gaivotas que se penduram em mim.
Espero ansiosamente o regresso das andorinhas para te ter nos meus braços.
Um beijo do teu

Banco!"

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MENTIRA


"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te".-Nietzsche.


Eis uma das razões porque a sociedade não se encontra a ela própria...
Eis a razão porque desconfiamos de tudo, até da própria sombra...
Eis a razão porque o medo se infiltra no quotidiano, provocando insegurança, desiqulíbrio emocional...
A mentira poderá, em determinadas circunstâncias, ser um mal menor: ou para evitar constrangimentos, ou dor...Ser piedosa...
Mas não é desta mentira inocente de que se alimenta o animal social!
Não é seguramente esta mentira que provoca a corrupção da alma colectiva!
Não é concerteza este tipo de mentira que faz doer, que mata sentimentos, que é uma neblina contínua entre o outro e nós.
Não.
É a dor de não se conseguir acalmar o coração com a falsidade de gestos, sorrisos, palavras!
É como se o nosso ego perdoasse mas não o coração. Perdeu-se o crédito que julgavamos bem depositado no "teu" cofre!
E pode tentar-se depositar mais "valores", aumentar o investimento...mas não "tens mais o "meu" crédito! O mesmo crédito de "mim"!
E vem a mágoa. Vem a desilusão provocando desconforto e desencanto!
E vem a revolta, o nunca mais!
Vem a deconfiança. A indiferença .
A futura verdade será uma hipotética mentira.
E Verdade e Mentira misturam-se...
E a mágoa não nasce só da mentira...
Nasce do simples facto de "ter-te "perdido!




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

FELICIDADE


"Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade."- Nietzche


...Porque a felicidade não é um fim é um caminho
...Porque a felicidade é mais sentir-se do ser feliz
...Porque a felicidade envolve o amor incondicional e muitas vezes o amor é egoísta...
Há amores egoístas. E será amor?
Não, é um amor, porque a felicidade constrói-se a cada minuto...no minuto seguinte pode desmoronar-se! Daí a constância, porque a felicidade é dádiva , é ser. Porque a felicidade não é uma conquista , ela vem ao nosso encontro , é uma construção.
...Porque tudo o que envolve força de sentimentos , não é força é submissão e a felicidade não é nunca, nem pode ser submissão. E não é constância de sentimentos. É constância de bons sentimentos, sentimentos bons!E é Nietzche quem o afirma, o impertubável Nietzche!
E os bons sentimentos nascem e precisam de ser mimados como flores de cristal
E precisam de ser transparentes como água cristalina
E precisam de ser puros
E precisam de ser autênticos
Mas não!
Podem e devem ser tudo isso mas quanta falsidade, quanta malícia, quanta deslealdade, quanta impiedade, quanta falta de verdade esconde o ser humano!
Quanto constrangimento, quanto pensamento dorido, quanta nostalgia misturada de revolta...quanto...quanto...quanto...provocam estes seres que atiram pedras para o lago adormecido, provocando o sentimento de triste perda!
É que a felicidade é inerente à condição humana. O Homem nasceu para ser feliz, quando não perde-se, vagueia perdido nem ele próprio sabe por onde...
Mas a felicidade não existe, não! Não se tem, não se possui. Ela foge e corremos como loucos para a alcançar!Ela é feita de momentos. Então agarremos esses momentos e vivámo-los intensamente, com alegria.
Mas dói quando se vão. Fica a saudade!Mas também essa dói. Então não há maior felicidade do que ter um amigo/a. Mesmo! Aí, pousamos a cabeça no seu ombro descansamos o nosso espírito enquanto partilhamos as nossas emoções! Então sim, teremos mais um momento feliz!
...E porque a felicidade é um estado de espírito...que os que são verdadeiramente amigos, saibam ler os nossos pensamentos e nos acompanhem com a constância dos seus bons sentimentos!


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

INTERIOR


"Quem tem bastante no seu interior, pouco precisa de fora"- Goethe

Nunca se tem demais no seu interior.
Quem tal afirma é o homem dos sentimentos, o homem que sabe falar do recôndito humano.
Mas nem sempre se sabe ou quantifica o que se guarda no seu interior. Muito? Pouco? O suficiente?
E por muito que guardemos no nosso interior, precisamos sempre de mais e mais.O que possuímos não é mesurável! O exterior é vão, escoa-se com o tempo. O ter satisfaz o ego que nos manipula. A questão é ser!
No entanto há autênticas bibliotecas humanas, cheias de páginas de sabedoria e sabedorias.De realizações e sonhos desfeitos...ou ternamente realizados!
... mas o interior guarda mais que saberes. Ela guarda a vida! E só quem vivenciou, guarda! O bom e o mau ! O imprescindível e o supérfluo! E quem guarda ,quer guardar o essencial. Bem no seu interior!
E "de fora", será que não precisa?
É preciso ser exigente consigo próprio, para saber separar aquele pouco de que precisa , aquele pouco que o completa ainda mais!
Quem é exigente, precisa sempre de mais, nem que seja pouco!
Nunca somos completos!
Completamo-nos!




quinta-feira, 14 de outubro de 2010

EXEMPLOS...



Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros.-É a única.-Albert Schweitzer

...E sendo única maneira de influenciar aqueles para quem somos mais visíveis, quer a nível público-conforme as suas funções- quer a nível mais restrito, que pensar da sociedade de hoje tão vazia , com lacunas "oceânicas" de bons exemplos?!
E, se esta for uma forma de influenciar positivamente os outros, que enorme responsabilidade carregamos para com a sociedade!
Seremos naturalmente bons, como dizia Voltaire, no " Bon Sauvage "? Talvez. Mas o ser bom tem muitas condicionantes. O ambiente em que se insere o indivíduo molda o seu genótipo conferindo-lhe características fenotípicas próprias.
...E além disso, à parte o aspecto científico penso que somos naturalmente bons...O Homemsó se sente pleno, preenchido, feliz com ele e o mundo, quando ajuda, quando dá, quando partilha, quando ama...!
...E os que se desviam?
Sempre há desvios à norma á falta de uma explicação mais profunda e mais consensual...Não há regra sem excepção! E mesmo quando tal acontece, ele sente uma tal ambiguidade de sentimentos... uma culpa, um vazio na vida ,que ele procura preencher logo que o seu Eu desperte!
E para que tal aconteça, quem se desvia tem que ter um espelho onde se reveja para fazer comparações, tirar as suas ilações...E esse espelho deve ser a reflexão do Belo, logo, do exemplo a seguir...
Mas não sejamos utópicos!
Ser exemplar é difícil!
Mas ser um bom exemplo está ao nível do homem bem formado!




terça-feira, 21 de setembro de 2010

APARÊNCIAS

"Não vos fieis nas aparências. O tambor com todo o seu estrondo que faz, não é cheio senão de vento."-M. Twain

E estamos rodeados de tambores , numa poluição contante e desmedida, tanto visual como auditiva.É uma forma de contornar situações, distraindo o inconsciente levando-o a aceitar subliminarmente o ruído que quer fazer passar. E embalados pelos sons e tons aparentemente inocentes, ficamos como que anastesiados, com a cadência constante do som surdo e monocórdico do tambor.
...E há cadências próprias. Mas é sempre o vento, o impalpável, que o torna grande aos nossos olhos, mas afinal é cheio de nada...
...Assim ,o que vemos nas aparências é um tambor vazio, oco...
O que não é oco, não precisa de aparência porque a essência transmite plenitude!
O pior é se a aparência é de tal forma convincente, que nos embala nos atributos de que diz ser feita e ficamos cegos perante as certezas que nos quer impingir...
...Assim, será melhor ouvir o som de um tambor menos estrondoso...
Quanto maior o tambor, mais estridente é o som e mais enganoso se torna!
...E se as aparências não são, porventura senão outra espécie de vento, prefiro este último às aparências. Este é menos hipócrita e defendo-me da ventania conforme a sua intensidade...
"A verdade existe. A mentira é que tem que ser inventada"-Marie Curie

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

TERNURA


"Só as almas fortes são susceptíveis da verdadeira ternura"-A. Vinet


Ternura. A palavra só por si leva-nos ao ambiente sagrado dos afectos.
Eles vão sendo semeados na infância e crescem com raízes que nos prendem ao solo sagrado do amor!
A mulher é terna por natureza, havendo como em tudo excepções...
Ser mãe é ser ternura. E a ternura é vida , substantiva Elas dão-se.Elas dão ternura com um amor incondicional porque elas não esperam nada em troca...
...E chamam-lhe o sexo fraco! Porque choram perante quadros de angústia! Comovem-se com a ausência de ternura. Irritam-se por não verem a partilha de ternura!
...E justificam esta intensidade de afecto por serem frágeis, irritavelmente frágeis...
Mas a verdadeira ternura só se alberga na alma que tem todas as condições para amar!
E os homens, não são ternos?
Concerteza que alguma semente de ternura terá caído neste terreno! Mas é uma ternura diferente, mais distante, mais longínqua, quase que como uma ternura pouco "terna" onde eles a esconderão talvez por ser um sentimento mais feminino...
...e não a usam mas aceitam-na se ela vier ao seu encontro...
A ternura é um espaço onde passeiam as nossas memórias, o nosso passado feito de colo e de histórias de fadas...
...A ternura é o macio e o conforto de um regaço acolhedor onde fomos embalados sem pedir...
A ternura é amor em movimento porque ela não espera, vai ao encontro da doação!
O homem será mais egoísta e não a "usam"!
Mas aceitam e exigem....até!
Será por isso que há tanta fome de amor?