Serei quem sinto ser-me, quando sinto?
Ou eu serei apenas esse absinto
Que outro bebeu e a mim me embriagou?
Como a loucura, transtornado estou,
Confuso e torvo como um labirinto.
Ao pressentir, porque me pressinto,
Eu não sei se sou eu, ou se não sou.
De que consiste a minha realidade?
Um fantasma que surge e me intimidaComo a mentira em face da verdade?
Página à toa lida e decorada,
Com palavras vãs se explica a Vida,Se a ignorância não explica nada?
Florentino Alvim Barroso, "Vento e Ventanias"




