sexta-feira, 23 de outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
E nós?
Cabeça amolgada em remendos de solidão.
Nas janelas da alma , cortinas sepultando o verde da esperança, sombras longínquas num longo vazio, num inatingível tão perto de ser presente. Pese o azul do horizonte à espera de novos prelúdios, a imagem permanece proibida nos olhos opacos, vendados em limbos no cárcere de peitos adormecidos. Sem uma sombra que seja, que engane a solidão.
De costas, para além de outras montanhas, a cidade grita e corre e rejubila e entoa canções de solidariedade perante os olhos opacos.
Como se não ouvissem.
Como se não sentissem o calor frio das palavras também elas, embaciadas.
A garganta-se levanta-se à procura do grito. Em vão. Ele afoga-se na confusão da multidão entontecida, embriagada de palavras coloridas.
E os lábios emudecem na berma das ruas porque não lhe dão voz.
Num último gesto, as mãos levantam-se, avivando a sua presença no clamor dos que não têm voz. São mãos quase disformes, flores que se erguem num grito mudo, reclamando igualdades.
...e permanecerão erguidas até que outras se moldem na fraternidade de um abraço.
Manuela Barroso, "Divagando"
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Mensagem
Bendito seja o chão que agasalha o meu sono
e apascenta o meu rebanho. bendita seja a Pátria
que me traz a quietude e apascenta a minha
paz. benditos todos os que por bem vierem
a esta abençoada terra onde ainda há pão,
se diz não à guerra.
que são meu sustento
para urze da serra.
…
sábado, 29 de agosto de 2015
Fronteiras
Como César, ao pé do Rubicão,
“ Álea jacta est ”, eis - me,
na Espanha,
Nesta, desoladora, condição,
De ovelha, tresmalhada, na
montanha.
A Terra é sempre a mesma,
mesmo estranha.
Do sentimento, a pátria é
invenção:
Na geografia, só se lavra e
amanha
a terra, que se traz, no
coração.
Eu odeio civismos imbecis:
Nascer, grego ou romano, que
tem isso?
Nasce, num charco, a larva e
é feliz.
Fronteiras!... A ambição foi
o feitiço.
A Terra é, toda ela, um só
país,
E, sinto-me, feliz, ao saber
disso!
Florentino Alvim Barroso, in “Vento
e Ventanias”, Edium Editora-2012
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Participação da Festa do Blog da Rosélia
A convite da amiga Rosélia, a minha participação da Festa de seu Blog.
http://www.idade-espiritual.com.br/
Não, não foi preciso dissertar sobre o tema. Ele foi , é bem real. E aconteceu no passado mês de Junho, tendo sido postado no meu blog anjoazul em 5/6/15 e que aqui reedito.
E afirmo: a confiança virtual existe!
Obrigada Eloah!
Obrigada , Rosélia!
"Cada dia que nasce renova-se com novas tonalidades.
Assim é com a
claridade de hoje!
E não é pelo
"escrito" que vem a seguir, nem pelo prémio, nem tão pouco pela
divulgação.
Mil vezs Não!
Mas sim, porque a
nossa Eloah do blog http://alemdosfragmentos24x7.blogspot.pt/, querida amiga de
há tantos anos e cuja amizade cresceu através dos nossos blogs , vai aterrar no
aeroporto Sá Carneiro para nos conhecermos pessolamente, dentro de poucos dias.
É assim, uma forma
simples de lhe prestar a minha homenagem, já que este prémio foi obtido
no Grupo Poético a que pertence.
E se , meus
amigos/as, por vezes nos debatemos com a solidão, a fome de amizade no mundo,
as incógnitas da internet ( e quantas!) , amizade virtual (fictícia),
eis o testemunho da minha verdade: tenho encontrado amigos/as
fabulosos/as.
Sendo eu
transparente por natureza, tenho recebido os mais puros e
cristalinos reflexos nas amizades, verdadeiros diamantes que aqui tenho
encontrado.
Aqui não são os
"likes" que nos preenchem.
Aqui, há um desfolhar
de alma que nos leva e nos deixamos ser levados pelo mesmo estado e alma.
Pelo coração.
Daí o conhecermo-nos
mais , porque mais nos expomos.
Obrigada, minha
querida amiga Eloah pela tua visita.
A tua sobriedade
espelha-se na belíssima poesia calma e doce que escreves e que é o
reflexo de ti.
Mas não pensei nunca
que os nossos comentários fossem o preâmbulo de uma grande amizade em que
a distância e o espaço, não têm voz.
Implícita fica a
minha gratidão e amizade a todos/as os que me presenteiam com a
vossa presença e palavras tão amáveis!
A todos muito estimo.
Beijinho!"
Manuela Barroso
( em 5 de junho 2015)
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Amar
Imaginação fértil!
Talvez...
... ou talvez a busca constante de auscultar o que está para além de nós.
E o que chamamos inerte, é feito das mesmas partículas, os mesmos átomos de que somos parte e que pensaram em nós desde o tempo que ultrapassa o nosso entendimento .
A perfeição de tudo o que existe é demasiado complexa para que o Belo seja um acaso. Talvez o acaso da Incompletude no mistério que nos passa despercebido na própria Natureza!
E "vi" aproximei-me , "confirmei" e sorri!
Dois "seres inanimados", num gesto de ternura, alheios ao mundo pequeno que se degladia.
Um mais "frágil" com um rendilhado de flores, lembrando a pretensa debilidade feminina.
O outro, mais amplo no seu "corpo" protetor, não vacilará, como a rocha-irmã onde se encosta.
E não se preocupam com o amanhã.
A casa é o infinito no azul do horizonte, no jardim de flores brancas escorrendo pelas escarpas.
O amanhã é o hoje, na alegria com aque vemos o dia!
Pausa...
...para escutar o que se esconde por detrás do véu...
Boas Férias para todos/as
Manuela Barroso
sábado, 25 de julho de 2015
Sentinela...
Os mistérios escondem-se aos olhos que olham, não aos olhos que teimam ver. Acomodamo-nos às pedras toscas, sem formas, sem mensagem.
O Homem ainda não esculpiu o seu pensamento com o cinzel do seu olhar.
Caminhamos indiferentes ao que é" invisível aos olhos" na pressa incontida de inaugurar as exposições da criatividade humana. E tudo se torna normal, correto, num evento social com pupilas que se retraem a cada flash, a cada gesto de exaltação física de admiração.
E o Homem, naturalmente, cresce com o fruto da sua concentração agora visivelmente concreta , física, "palpável".
...e passamos e olhamos...
...e não vemos.
Os passos ficam escritos no solo, deixando as memórias impressas na areia que em breve os apagará. Mas não as memórias encondidas em cada pegada .Essas continuarão...
Em contra-luz, como que se esquivando à beleza do painel que preenche a tela, em algodões de óleo macio, nos tons quentes da quietude de fim de tarde, uma rocha aparentemente disforme.
Olho. Volto a olhar e tento ver, decifrar...
...E indiferente ao bater das ondas, guardando, o céu e areal, li um fiel amigo, cabeça erecta, patas bem assentes nos rabiscos da areia, vendo o resto dos homens a correr, a passear, estendendo o seu olhar atento, entre o sol longo e o mar.
Que disse que o "essencial é invisível as olhos"?
E há tanto para admirar!
Manuela Barroso, "Divagando"
sábado, 18 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
Saudades
...e como te queria
no coração dos meus dias
abrindo clareiras
matando fogueiras
deitadas no chão
como eu queria
no segredo da tarde
colher-te entre os lírios
morrem-me as horas.
morrem-me as horas.
Manuela Barroso
LIRICO.4.7.15
LIRICO.4.7.15
sábado, 27 de junho de 2015
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