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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Esperando


Espero-te.
Não no compasso das estrelas, mas na noite que se faz dia em cada cair de sol.

Manuela Barroso

sábado, 23 de janeiro de 2016

Pensando...




Dar bons conselhos:
-" as pessoas gostam de dar o que mais necessitam. Considero isto a mais profunda generosidade "-Óscar Wilde


Talvez venha a propósito lembrar aquele aforismo..."Se os conselhos fossem bons, não se davam , vendiam-se..."
Dar conselhos é quase como que um "conceito"...mas dar uma opinião, envolve sinceridade, menos preconceito, mais de si mesmo!
É mais provável aceitar-se uma opinião que um conselho. O conselho envolve como que uma imposição subliminar-"deves".
A opinião envolve mais ternura, porque se opina, não é assertiva, será quando muito confirmativa. É como que um envolvimento do "eu" com o "tu" ,em que se procura dar o melhor de nós.
E quantas vezes o dar conselhos envolve a máxima " Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço."...Daí, estar latente aquele véu transparente da hipocrisia o que não acontecerá com uma opinião sentida.
Assim, a generosidade, implicitamente satírica, de que fala Óscar Wilde, não se revestirá do mesmo tom crítico quando se fala da opinião!
O Eu-pensante generoso, opinará
O Eu-egóico criticará...aconselhando...


Manuela Barroso

(reeditado)


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ter


 Imagem da net
Tentando ter tanto...
Ter tanto não é ter muito...
Ter muito não é ter pouco...
Não ter pouco é ter bastante...
Ter bastante é mais que nada...
Nada ter
Menos que ser...
Ser, não é tanto,
Ser é tudo...
E tudo ser
E não ser nada
É ser pouco...
Não tenhas...

Sê!

Manuela Barroso, in "Inquietudes", Edium Editores

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

É NATAL

Interação de Natal com a amiga Rosélia Bezerra



É Natal…E, sobre isto, há uma história,
Cheia de paz a condenar a guerra.
- Uma lenda de Amor e de Vitória,
Duma criança, que nasceu na Terra.

Tinha vindo, do Céu, cantar a Glória,
Do Pai, que está no Céu e o Céu encerra.
- A pregar que esta vida é transitória,
Que o certo é perdoar, sempre, a quem erra.

 Este conto, há milénios, nos seduz.
Mas a verdade, toda, em tudo isto
(Como ferida gangrenando pus,

 De tanta coisa vil, a que assisto)
-É ter morrido, à toa, numa Cruz,
A criança chamada Jesus Cristo…

Florentino Alvim Barroso, in “Vento e Ventanias”- Edium Editora









NATAL

Hoje, escorre chuva em flocos brancos
porém no jardim, toda a paz paira no ar
e  nem as folhas se sentam nos bancos
preferindo o baile cadenciado das estrelas
a nevar
a luz que outrora adormecia
as nuvens flutuando ao luar
fez-se uma estrela  em pleno dia
e desceu à terra, para Jesus louvar
diz-se que nasceu num pobre casebre
de Maria Virgem em palhas deitado
tendo o bafo quente como lençol leve
cobrindo do frio, seu corpinho sagrado.
assim conta a história esta boa nova
do Messias que Cícero, longe, cantava.
nascia o presépio. Vivia-se  o natal     
com um encantamento, uma alegria tal,
na infância que ainda mal acordava,
que renasço cada ano, em magia igual…

Manuela Barroso

 Desejo a todos  um Natal Feliz











sábado, 7 de novembro de 2015

Quem sou eu...

 Imagem da Net


Quem sou eu, donde vim, para onde vou?
Serei quem sinto ser-me, quando sinto?
Ou eu serei, apenas, esse absinto,
Que, outro bebeu e, a mim, me embriagou?

 Como a loucura, transtornado estou,
Confuso e torvo como um labirinto.
Ao pressentir, porque me pressinto,
Eu não sei se sou eu, ou se não sou.
 
De que consiste a minha realidade?
Um fantasma, que surge e me intimida,
Como a mentira em face da verdade?
 
Página à toa lida e decorada,
Com palavras vãs se explica a Vida,
Se, a ignorância, não explica nada?



Florentino Alvim Barroso, in "Vento e Ventanias", Edium Editores- 2012
( Tio)

   

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ampulheta


 Imagem da net
Nesta ampulheta da vida que corre
neste som do silêncio que magoa
nesta cor azul que acalma
neste piar dos pássaros
            que ecoa

corre o tempo
atrás do futuro
numa incerteza
que morre      
lenta
no escuro.
                       
Manuela Barroso,”Inquietudes” Edium Editores





sábado, 3 de outubro de 2015

E nós?


Cabeça amolgada em remendos de solidão.
Nas janelas da alma , cortinas sepultando o verde da esperança, sombras longínquas num longo vazio, num inatingível tão perto de ser presente. Pese o azul do  horizonte à espera de novos prelúdios, a imagem permanece proibida nos olhos opacos, vendados em limbos  no cárcere de peitos adormecidos. Sem uma sombra que seja, que engane a solidão.

De costas, para além de outras montanhas, a cidade grita e corre e rejubila e entoa canções de solidariedade perante os olhos opacos.
Como se não ouvissem.
Como se não sentissem o calor frio das palavras também elas, embaciadas.

A garganta-se levanta-se à procura  do grito. Em vão. Ele afoga-se na confusão da multidão entontecida, embriagada de palavras coloridas.

E os lábios emudecem na berma das ruas porque não lhe dão voz.
Num último gesto, as mãos levantam-se, avivando a  sua presença no clamor dos que não têm voz. São mãos quase disformes, flores que se erguem num grito mudo, reclamando igualdades.
...e permanecerão erguidas até que outras se moldem na fraternidade de um  abraço.


Manuela Barroso, "Divagando"


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mensagem



Bendito  seja o chão que agasalha o meu sono
e apascenta o meu rebanho. bendita  seja a Pátria
que me traz a quietude e  apascenta a minha
paz. benditos todos os que por bem vierem
a esta abençoada  terra onde ainda há pão,
se diz não à guerra.

 
e quando eu já não puder, levem minhas ovelhas
que são meu sustento
 para urze da serra.
           Manuela Barroso
 

sábado, 29 de agosto de 2015

Fronteiras




Como César, ao pé do Rubicão,
“ Álea jacta est ”, eis - me, na Espanha,
Nesta, desoladora, condição,
De ovelha, tresmalhada, na montanha.

A Terra é sempre a mesma, mesmo estranha.
Do sentimento, a pátria é invenção:
Na geografia, só se lavra e amanha
a terra, que se traz, no coração.

Eu odeio civismos imbecis:
Nascer, grego ou romano, que tem isso?
Nasce, num charco, a larva e é feliz.

Fronteiras!... A ambição foi o feitiço.
A Terra é, toda ela, um só país,
E, sinto-me, feliz, ao saber disso!



Florentino Alvim Barroso, in “Vento e Ventanias”,  Edium Editora-2012