domingo, 30 de outubro de 2016

Neste mar



Neste mar azul onde me invento
Nestas ondas de espuma branca a bailar
Sou o gavião garboso planando ao vento
Gritando liberdade pelo ar

Sou a areia quente que num abraço
Corre célere por entre os dedos,
Sou água fria, feita em pedaços
Sou a discreta anémona nos rochedos.


Sou da errante gaivota o piar
Sou concha morta na praia
Onde surdamente ainda se ouve o mar

Com a cambraia delicada do coral
E por entre esta renda de estrelas
Me escondo, deixo-me enrolar

Manuela Barroso, "Inquietudes", Edium Editores, 2102


8 comentários:

  1. Lindo mar e lindíssima poesia bem inspirada,como sempre! bjs, chica

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  2. O mar. O corpo como um desvio do mar. A memória lenta e discreta das escarpas... Muito belo, Manuela.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  3. e eu me enrolei no teu mar.

    Um encanto!

    Beijo

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  4. Soneto lindo, cara Manuela. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma boa tarde.

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  5. Voltei ao encontro da delicadeza e da liberdade do teu poetar.
    Beijinho, Manuela.

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  6. Que poesia magnifica... com um deslumbrante suporte de imagem!...
    Uma publicação belíssima e arrebatadora! Para apreciar e reapreciar, Manuela!
    Beijinho! Boa semana! E desejando a continuação de uma boa recuperação!...
    Ana

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  7. Boa tarde Manuela,
    Um soneto magnífico em que a poesia flui livremente numa cadência muito bela.
    Um beijinho e continuação de boa semana.
    Ailime

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  8. Mas que mar, e que olhos!
    O mar é fonte de inspiração, é certo, mas escrever assim não está ao alcance de todos.
    Gostei muito.
    Abraços de vida, querida amiga

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