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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Pousada Rainha Santa Isabel

Mais uma pousada para retemperar corpo e alma.
Longe, onde o azul celebra a luz e as torres beijam os céus, o encanto do passado em memórias futuras.
Aqui, as horas apagam-se quando se respira o silêncio escondido nas paredes espessas dos quartos bordados de branco, no aconchego das boas-vindas com doces conventuais, enquanto a Rainha Sta Isabel se passeia na simplicidade austera dos corredores.
Nunca o longe soube a tão perto!





Manuela Barroso

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Colheita de Outono

Eis a delicadeza das formas em sintonia com o gorjeio que anuncia os dias frescos de Outono.
As baladas e os trinados do pisco, acompanham os passos titubeantes de uma estação que se quer serena. 
E ele, acompanha , tarde dentro, as vozes que se vão calando na calma do anoitecer.


As flores são o prenúncio da alegria e a tristeza de que tudo o que nasce, morre. Mas "enquanto dura, vida doçura" e delas nascerão outras alegria lembrando a nossa "perenidade" ...
 Percorremos caminhos e constatamos que não é só o verão que nos traz a alegria do viço das folhas, a altivez robusta das árvores. Há bagas e frutos desafiando-nos com a sensualidade das formas e cores. Ora o vermelho da força e energia ...


Ora o branco puro e doce, nas formas geométricas  da harmonia...

 ...e num desafio como que esturricado  mas colorido,a alegoria das vagens caindo em uníssono da pauta  de um ramo onde a música agora é diferente. Mas continua igual aos sons que guardará na memória das sementes...
...quer em uníssono
 ...quer solitariamente.
quer na justeza de companhia discreta, pacifica.

Algumas flores não se deixam apagar ; conservam formas que atraem os olhares, numa cumplicidade que compromete a indiferença de quem olha como se tudo o que parece simples o fosse na realidade
 ...e lá vem o nosso guia, atento aos nossos passos, ensinar-nos os caminhos dos frutos maduros que restam e se escondem por entre as parras cada vez mais solitárias


E as castanhas ainda a dormir no ventre dos picos?  No chão algumas se escondem por entre a relva já raquítica do outono. Ao longe, fumo sadio saindo por entre as telhas de casa solitária do monte. Uma a uma se vão colhendo como gotas de chuva, agora noutros Outonos mais sadios...
 Mas o campo é uma oferenda para quem passa  e haverá  sempre algo no caminho matando sedes e curiosidades. Que o digam os melros, com direito a tudo que é novidade. E sobram figos para alegria de tudo o que vive: pássaros e gente.
 



Tudo está de tal forma delineado, que não só, há flores, mas também, caprichos de flores.
O sol vai caindo  mais suavemente, razão pela qual  estes penachos que coroam a natureza, se afirmem agora,  lembrando que há flores todo o ano ,  e que as mesmas , não vivam só no cativeiro dos jardins programados...
A Liberdade é preciosa demais, para não fazer parte do todo.


 Fim de Outono.
Natal à vista na perfeição e aconchego das pinhas que nos convidam ao calor da intimidade do lar.
Tudo tem o seu tempo, sua beleza, sua transcendência.
Basta saber olhar
Ouvir respostas da  nossa amiga consciência.

 
 Manuela Barroso

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Convento de Alpendurada

Conventos transformados em hotéis de charme, onde podemos revisitar o passado na austeridade do seu granito, na sua beleza arquitectónica, no silêncio dos seus jardins, na longevidade das suas árvores.
Se bem que pareça distante o seu olhar interior, algo nos apaixona nos seus adereços.
Tempo de paragem, para muitos, em mais um verão -tempo de ócio e de descanso- mas propício ao devaneio e férias.
Assim, um convite, um desafio, uma sugestão para uma viagem até este lindo Convento onde também  podemos repousar.
 









  

 







domingo, 2 de julho de 2017

Tardes Mansas

 "Paisagens Naturais" de Helena Chiarello

Os dias quentes de verão eram o repouso imposto aos corpos exaustos, castigados pelo trabalho árduo do campo.
A sombra das laranjeiras casava-se com a folhagem oferecida da ramada, donde pendiam agora os cachos negros de verdelho e retinto e que serviam de suporte a ninhos de cerezinas que espreitavam curiosas os estranhos vultos humanos...
...Mas as tardes tinham outro encanto!
O tempo ia correndo preguiçoso entre o rio e um livro à sombra da laranjeira pingando flores intensamente brancas, intensamente perfumadas...
...e deixava  o "amor" adormecido no meio  do romance e fazia-me ao rio com um pequeno e rudimentar apetrecho de pesca...
Tardes de pura quietude!
 Deixava-me absorver pela  mansidão das águas e dos pequenos peixes em recreio, que brincavam com as libelinhas que sobrevoavam a capa das águas  que também  dormiam e onde eu me espelhava juntamente com os choupos  que emolduravam o meu corpo.
Era um cheiro a frescura, a água lavada, misturado com o lodo verde onde serpenteavam enguias e trutas esguias...
...e lançava o meu isco...e sorria...
...Os peixes, numa desconfiança atrevida, apareciam parcimoniosamente picando o anzol, com um "não te quero" ..."mas volto"...
...e davam meia volta como num bailado sem vénias!
... E... nada!
Mas era gostosamente doce e relaxante, sentir o vai-e-vem, o sossego que os barbos e bogas me transmitiam...
...e eu não queria o peixe...eu queria o prazer da tranquilidade das águas sobrevoadas pelas libelinhas , e que se agitavam em tremura, juntamente com o voo rasante das andorinhas...
...E neste relaxamento induzido pelo coaxar das rãs e o borbulhar das águas transparentes nos seixos, onde o céu azul mergulhava, transportava-me para o meu lugar seguro, onde não tinha necessidade
de defesas nem de escudos...
...Era eu própria!
Deixava-me embalar nesta onda de paz...
...olhava o Universo...
...e sentia-me à porta de minha Casa!
Corria uma maré frisante que arrepiou os meus cabelos acordando-me do torpor de pensamentos.
Mergulhei na água cristalina que me acordou...
...as folhas dos choupos dançavam dizendo adeus...
...e enfeitei os meus olhos com espelhos de água e libelinhas num entremeio de renda por onde os raios de sol penetravam...
... bordando este lençol  que cobre ainda o meu berço de menina!


Manuela Barroso
( reeditado)


terça-feira, 9 de maio de 2017

Quis



quis abraçar o espaço
onde te escondes e
encontrei fogo nas
entranhas do teu amor

penetrei pelas espinhas
do tempo
sussurrei memórias
e na tempestade das estrelas
ouvi  o teu nome

no horizonte das águas
vi sombras semeadas
de trepadeiras encostando-se ao infinito

abracei o teu sorriso
e alegria
e fui asa por uma dia


Manuela Barroso



sábado, 29 de abril de 2017

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Janelas de Vidro


Janelas de vidro
Sombras de metal
Nuvens fugidias
Pingas de cristal 
          Janelas de vidro
          São olhos da alma
          Leituras do tempo
          Palavras ao vento
         Sussurradas com calma!
Tapetes de musgo
Sob os carvalhais
Rebentos escondidos
Em posições fetais
        Janelas de vidro
        Escondidas no peito
        Lendo a voz do vento
        Silêncio em que me deito
 Mas quem diria
 Que por uma janela
 A noite se faz dia
(Que arte mais bela!)
E traz
estrelas com ela!

Manuela Barroso, “Eu Poético”