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domingo, 28 de junho de 2020

O Melro- Divagando


Cada vez que os ouço, mais admiro o seu carácter, o seu instinto protector, a sua altivez sadia(fotos minhas)
 
Como amante envolvente, cuida da casa, protege a companheira, vigiando-a, protegendo-a.
...ele é porventura o mais sedutor “gentleman” da população da sua espécie, no seu fato de cerimónia e seu bico de um amarelo de ouro, digno de um rei. 


A Propósito do Melro


Quando vagueio por espaços sombrios, há um sobressalto em cada golpe de asa. Ou é um verdilhão que me desafia com os seus trinados, ou o adorável pisco que me acompanha, arrepiando-me com o seu canto. E quanto mais falo para as copas escondidas, mais me ele me provoca  redobrada sinfonia a uma só voz.
Mas quero falar do melro.
Ladino, com a velocidade de um jacto e a provocação de um perfeito D. Juan, ele é porventura o mais sedutor “gentleman” da população da sua espécie, no seu fato de cerimónia e seu bico de um amarelo de ouro, digno de um rei. Os seus gorjeios estridentes e atrevidos nada mais são senão avisos de que ali é condomínio fechado...
Como amante envolvente, cuida da casa, protege a companheira, vigiando-a, protegendo-a.
Habituada a ver os ninhos  das cantadeiras  ceresinas nos valados ou nas latadas em flor e assustar-me com uma fuga inesperada de um pássaro negro das laranjeiras ou por entre as silvas, não muito longe no tempo, um destes meus sedutores fez ninho num arbusto de hibiscos na entrada principal. Todos os dias guardava os principezinhos no encantamento da fragilidade da sua penugem. Porém, uma tarde, quando todas as aves se recolhem quando aparece Vénus e vendo a serenidade do ninho e ausência do general, pé ante pé, aproximo-me do ninho.
Os filhotes ensaiaram uma gritaria que alertando os pais que dormiam num pinheiro do jardim, descem em voo picado em guinchos furiosos, rasando o meu rosto e cabelo em piruetas agressivas. Longe de imaginar tal investida, bati em retirada antes que levasse uma bicada nos olhos...
Cada vez que os ouço, mais admiro o seu carácter, o seu instinto protector, a sua altivez sadia, a sua garra, o seu hino às manhãs azuis ou cinzentas e o seu smoking festivo porque afinal a vida é sempre uma festa.
.
O tempo passa. Os gostos mudam. Mas como seria tão melhor se na sociedade houvesse- no melhor sentido-  mais melros: protectores,  honestos , gentlemans.

Manuela Barroso






domingo, 14 de junho de 2020

No silêncio...


Fotos pessoais


 No silêncio de minha casa ouço as vozes
das flores
até os segredos têm asas, com penas
de tantas cores.
Volto sempre a esta casa onde a quietude
é cambraia
que me envolve em seus braços e onde minha alma
se espraia.

MBarroso



domingo, 10 de maio de 2020

Diz-me porquê

 Foto Minha

...

Partem vidraças, rompem fronteiras em desumana febre
rasgam cortinas de luz e poeira, que mediante a paz
tanto me faz viver num palácio como num casebre.
Diz-me porquê.

Manuela Barroso -"Luminescências" Seda Editora










sábado, 25 de abril de 2020

"Em Seara Alheia"- Graça Pires




Conta-se por aí
que ele amava tanto as árvores
que tinha no coração
todas as tonalidades de verde.
O círculo das águas submersas
debandava o longe das nascentes
para adubar sementes e raízes.
Um inesperado cio,
bafo da terra em júbilo,
alojou-se-lhe no sangue.
Cinge, agora, nas mãos a luz de março
aguardando que o sobressalto
verde das folhas o sacie.

Graça Pires- "A Solidão é como o Vento" -(Poema deste livro)


GRAÇA PIRES, a nossa grande Poeta,  vai lançar mais um livro de histórias- poema de uma beleza fabulosa com o título “ A SOLIDÃO É COMO O VENTO”.
Uma vez que o confinamento em que vivemos actualmente, não permite que seja presencial quer em Lisboa quer no Porto, este lançamento será feito online - Facebook.
O abraço de Parabéns será virtual. Mas os seus POEMAS serão eternos.
Desejamos-te o maior sucesso, querida amiga. Terno Abraço.
                               
                                                                                                          Manuela Barroso
*
O lançamento do livro “A Solidão é como o Vento” será no dia 1 de Maio no Facebook da Poética Edições.
A  Editora está a fazer uma pré-venda com 20% de desconto até 30 de Abril. É bom para quem tiver gosto em adquirir o livro.
Aqui vão os links do youtube, onde já está o vídeo, e da loja online

https://www.youtube.com/watch?v=2Z20pDs1YMY ~



https://poeticalivros.com/collections/poesia/products/a-solidao-e-como-o-vento 








"Doía-lhe na voz a crueza das palavras"

                       



domingo, 19 de abril de 2020

Apelos...


O mar é um apelo.
Na ânsia de lhe sentir o aroma, vai saindo devagarinho, olhos bem atentos no delito de pôr o primeiro "pé" na rua.
Desconfiada ainda se pergunta:
-Se te infectas, que sorte será a tua?
Não vês que ainda mordes a isca?


Dá meia volta, continua, pensando...
-Aproveita...quem não isca não petisca...

( Embora exaustos por este confinamento, é melhor não petiscar...)
Bji 💓

Mbarroso





sábado, 29 de fevereiro de 2020

Se algum dia...

 Foto minha
...Se algum dia voares mais baixo
Porque as asas não têm já o mesmo vigor
Alegra teus olhos, não caminhes cabisbaixo

Já que terás sempre algures, aqui 
Uma garça- irmã branca, feita pão
Da mesma massa que te gerou a ti.



[Que a Natureza encante a todos como me encanta a mim! ]


Manuela Barroso









sábado, 15 de fevereiro de 2020

Espelho de Água

 Foto pessoal-Clicar para ampliar


Olha-te no espelho da água.
No seu reflexo, que ele seja o rosto do teu sorriso interior.

Manuela Barroso

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Ave de mim

 Foto minha -clique para aumentar
Deixa que seja ave de mim.
E à procura do meu palácio do tempo,
quero ser levada
pela transparência das minhas asas


Manuela Barroso

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Eis a liberdade


Foto Pessoal

Eis a liberdade que o Campo me dá:
meus olhos leem em sintonia com a Alma.
Todos somos UM.

Manuela Barroso

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Súplica da Árvore




- Machado (disse a árvore, ao machado):
No meu tronco não ouses o teu fio!
Não é digno, no chão, ver-se deitado,
Quem nasceu para ser, somente, erguido!

Mas o machado, surdo, a qualquer brado,
Talhava o tronco indiferente e frio.
Quando, o destino, já nos foi traçado,
Ninguém lhe muda mais o seu feitio.

Já quase, prestes, a cair no chão
(Suspiro antes que a morte nos consuma),
A árvore insistiu… mas foi, em vão.

Então, a estralejar, se desapruma,
Pois, seja por desatino, ou condição,
Nunca fica, de pé, coisa nenhuma.


Florentino Alvim Barroso -”O Vento e as Ventanias”, Edium Editores