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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

É NATAL

Interação de Natal com a amiga Rosélia Bezerra



É Natal…E, sobre isto, há uma história,
Cheia de paz a condenar a guerra.
- Uma lenda de Amor e de Vitória,
Duma criança, que nasceu na Terra.

Tinha vindo, do Céu, cantar a Glória,
Do Pai, que está no Céu e o Céu encerra.
- A pregar que esta vida é transitória,
Que o certo é perdoar, sempre, a quem erra.

 Este conto, há milénios, nos seduz.
Mas a verdade, toda, em tudo isto
(Como ferida gangrenando pus,

 De tanta coisa vil, a que assisto)
-É ter morrido, à toa, numa Cruz,
A criança chamada Jesus Cristo…

Florentino Alvim Barroso, in “Vento e Ventanias”- Edium Editora









NATAL

Hoje, escorre chuva em flocos brancos
porém no jardim, toda a paz paira no ar
e  nem as folhas se sentam nos bancos
preferindo o baile cadenciado das estrelas
a nevar
a luz que outrora adormecia
as nuvens flutuando ao luar
fez-se uma estrela  em pleno dia
e desceu à terra, para Jesus louvar
diz-se que nasceu num pobre casebre
de Maria Virgem em palhas deitado
tendo o bafo quente como lençol leve
cobrindo do frio, seu corpinho sagrado.
assim conta a história esta boa nova
do Messias que Cícero, longe, cantava.
nascia o presépio. Vivia-se  o natal     
com um encantamento, uma alegria tal,
na infância que ainda mal acordava,
que renasço cada ano, em magia igual…

Manuela Barroso

 Desejo a todos  um Natal Feliz











sábado, 7 de novembro de 2015

Quem sou eu...

 Imagem da Net


Quem sou eu, donde vim, para onde vou?
Serei quem sinto ser-me, quando sinto?
Ou eu serei, apenas, esse absinto,
Que, outro bebeu e, a mim, me embriagou?

 Como a loucura, transtornado estou,
Confuso e torvo como um labirinto.
Ao pressentir, porque me pressinto,
Eu não sei se sou eu, ou se não sou.
 
De que consiste a minha realidade?
Um fantasma, que surge e me intimida,
Como a mentira em face da verdade?
 
Página à toa lida e decorada,
Com palavras vãs se explica a Vida,
Se, a ignorância, não explica nada?



Florentino Alvim Barroso, in "Vento e Ventanias", Edium Editores- 2012
( Tio)

   

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ampulheta


 Imagem da net
Nesta ampulheta da vida que corre
neste som do silêncio que magoa
nesta cor azul que acalma
neste piar dos pássaros
            que ecoa

corre o tempo
atrás do futuro
numa incerteza
que morre      
lenta
no escuro.
                       
Manuela Barroso,”Inquietudes” Edium Editores





sábado, 3 de outubro de 2015

E nós?


Cabeça amolgada em remendos de solidão.
Nas janelas da alma , cortinas sepultando o verde da esperança, sombras longínquas num longo vazio, num inatingível tão perto de ser presente. Pese o azul do  horizonte à espera de novos prelúdios, a imagem permanece proibida nos olhos opacos, vendados em limbos  no cárcere de peitos adormecidos. Sem uma sombra que seja, que engane a solidão.

De costas, para além de outras montanhas, a cidade grita e corre e rejubila e entoa canções de solidariedade perante os olhos opacos.
Como se não ouvissem.
Como se não sentissem o calor frio das palavras também elas, embaciadas.

A garganta-se levanta-se à procura  do grito. Em vão. Ele afoga-se na confusão da multidão entontecida, embriagada de palavras coloridas.

E os lábios emudecem na berma das ruas porque não lhe dão voz.
Num último gesto, as mãos levantam-se, avivando a  sua presença no clamor dos que não têm voz. São mãos quase disformes, flores que se erguem num grito mudo, reclamando igualdades.
...e permanecerão erguidas até que outras se moldem na fraternidade de um  abraço.


Manuela Barroso, "Divagando"


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mensagem



Bendito  seja o chão que agasalha o meu sono
e apascenta o meu rebanho. bendita  seja a Pátria
que me traz a quietude e  apascenta a minha
paz. benditos todos os que por bem vierem
a esta abençoada  terra onde ainda há pão,
se diz não à guerra.

 
e quando eu já não puder, levem minhas ovelhas
que são meu sustento
 para urze da serra.
           Manuela Barroso
 

sábado, 29 de agosto de 2015

Fronteiras




Como César, ao pé do Rubicão,
“ Álea jacta est ”, eis - me, na Espanha,
Nesta, desoladora, condição,
De ovelha, tresmalhada, na montanha.

A Terra é sempre a mesma, mesmo estranha.
Do sentimento, a pátria é invenção:
Na geografia, só se lavra e amanha
a terra, que se traz, no coração.

Eu odeio civismos imbecis:
Nascer, grego ou romano, que tem isso?
Nasce, num charco, a larva e é feliz.

Fronteiras!... A ambição foi o feitiço.
A Terra é, toda ela, um só país,
E, sinto-me, feliz, ao saber disso!



Florentino Alvim Barroso, in “Vento e Ventanias”,  Edium Editora-2012


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Participação da Festa do Blog da Rosélia


A convite da amiga Rosélia, a minha participação da Festa de seu Blog.
 http://www.idade-espiritual.com.br/

Não, não foi preciso dissertar sobre o tema. Ele foi , é bem real. E aconteceu no passado mês de Junho, tendo sido postado no meu blog anjoazul em 5/6/15 e que aqui reedito.
E afirmo: a confiança virtual existe!
Obrigada Eloah!
Obrigada , Rosélia!





"Cada dia que nasce renova-se com novas tonalidades.
Assim é com a claridade de hoje!

E não é pelo "escrito" que vem a seguir, nem pelo prémio, nem tão pouco  pela divulgação.
Mil vezs Não!
Mas sim, porque a nossa Eloah do blog http://alemdosfragmentos24x7.blogspot.pt/, querida amiga de há tantos anos e cuja amizade cresceu através dos nossos blogs , vai aterrar no aeroporto Sá Carneiro para nos conhecermos pessolamente, dentro de poucos dias.
É assim, uma forma simples  de lhe prestar a minha homenagem, já que este prémio foi obtido no Grupo Poético a que pertence.

E se , meus amigos/as, por vezes nos debatemos com a solidão, a fome de amizade no mundo, as incógnitas da internet ( e quantas!) , amizade virtual  (fictícia),  eis o testemunho da minha verdade: tenho encontrado amigos/as fabulosos/as.
Sendo eu  transparente  por natureza, tenho recebido os mais puros e cristalinos  reflexos nas amizades, verdadeiros diamantes que aqui tenho encontrado.
Aqui não são os "likes" que nos preenchem.
Aqui, há um desfolhar de alma que nos leva e nos deixamos ser levados pelo mesmo estado e alma.
Pelo coração.
Daí o conhecermo-nos mais , porque mais nos expomos.

Obrigada, minha querida amiga Eloah pela tua visita.
A tua sobriedade espelha-se  na belíssima poesia calma e doce que escreves  e que é o reflexo de ti.
Mas não pensei nunca que os nossos comentários fossem o preâmbulo de uma grande amizade  em que a distância e o espaço,  não têm voz.

Implícita fica a minha gratidão e  amizade a todos/as os que me  presenteiam com a vossa presença e palavras tão amáveis!
A todos muito estimo.

Beijinho!"

Manuela Barroso


( em 5 de junho 2015)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Amar


Imaginação fértil!
Talvez...
... ou talvez a busca constante de auscultar o que está para além de nós.
E o que chamamos inerte, é feito  das mesmas partículas, os mesmos átomos  de que somos parte e que pensaram em nós desde o  tempo que ultrapassa o nosso  entendimento .
A perfeição de tudo o que existe é demasiado complexa para que o Belo seja um acaso. Talvez o acaso da Incompletude no mistério que nos passa despercebido na própria Natureza!

E "vi"  aproximei-me , "confirmei" e sorri!
Dois "seres inanimados", num gesto de ternura, alheios ao mundo pequeno que se degladia.
Um mais "frágil" com um rendilhado de flores, lembrando a pretensa debilidade feminina.
O outro, mais amplo no seu "corpo" protetor, não vacilará,  como a  rocha-irmã onde se encosta.

E não se preocupam com o amanhã.
A casa é o  infinito no azul do horizonte, no jardim de flores brancas escorrendo pelas escarpas.
O amanhã é o hoje, na alegria com aque vemos o dia!



Pausa...
...para escutar o que se esconde por detrás do véu...

Boas Férias para todos/as


    Manuela Barroso


sábado, 25 de julho de 2015

Sentinela...


Os mistérios escondem-se aos olhos que olham, não aos olhos que teimam ver. Acomodamo-nos às pedras toscas, sem formas, sem mensagem.
O Homem ainda não esculpiu o seu pensamento com o cinzel do seu olhar.
Caminhamos indiferentes ao que é" invisível aos olhos" na pressa incontida de inaugurar as exposições da criatividade humana. E tudo se torna normal, correto, num evento social com pupilas que se retraem a cada flash, a cada  gesto de exaltação física de admiração.
E o Homem, naturalmente, cresce com o fruto da sua concentração agora  visivelmente concreta , física, "palpável".
...e passamos e olhamos...
...e não vemos.

Os passos ficam escritos no solo, deixando as memórias impressas na areia que em breve os apagará. Mas não as memórias encondidas em cada pegada .Essas continuarão...
Em contra-luz, como que se esquivando à beleza do painel que preenche a tela, em algodões  de óleo macio, nos tons quentes da quietude de fim de tarde, uma rocha aparentemente disforme.
Olho. Volto a olhar e tento ver, decifrar...
...E  indiferente ao bater das ondas, guardando, o céu e areal, li um fiel amigo, cabeça erecta, patas bem assentes nos rabiscos da areia,  vendo o resto dos homens a correr, a passear, estendendo o seu olhar atento, entre o sol longo e o mar.
Que disse que o "essencial é invisível as olhos"?
E há tanto para admirar!

Manuela Barroso, "Divagando"


sábado, 18 de julho de 2015

Tanto



Tanta noite, tanta lua
tanto encanto
tanto sonho adormecido.


                                                                                    Manuela Barroso

sábado, 4 de julho de 2015

Saudades



...e como te queria
no coração dos meus dias  
abrindo clareiras
matando fogueiras
deitadas no chão

como eu queria
no segredo da tarde
colher-te entre os lírios

morrem-me as horas.


                                         Manuela Barroso

sábado, 27 de junho de 2015

Embalo-me


Embalo-me no Vazio
que enche
o Nada que eu Sou


                                                        Manuela Barroso 

sábado, 20 de junho de 2015

Chica brinca de Poesia

Tão sugestiva esta imagem do Blog da Chica,
em
"Botando a cabeça para funcionar"
http://chicabrincadepoesia.blogspot.com.

Li assim...
...direto aqui...


Rasga-se uma fenda na noite
Para além do Tempo, o inacessível aos olhos
Longe fica o Vazio
Aqui o medo de avançar para o desconhecido

Chama a voz  do Azul escondida nas montanhas de nuvens
onde crescem  sonhos inatingíveis, porém possíveis porque é grande
complacência do Cosmos.
Com a vigília da lua, leio o Infinito.

Manuela Barroso


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Chica brinca de Poesia

"Botando a cabeça para funcionar"-

http://chicabrincadepoesia.blogspot.pt/
E, colaborando

Achei bela esta imagem da nossa Chica.
Depois pensei aqui direto, mais ou menos assim...

 Imagem retirada do blog da Chica -http://chicabrincadepoesia.blogspot.com
Não fujas. deixa-te aprisionar pela mansidão da água procurando ler o que está escrito no céu.
não procures alcançar o espaço  com as palavras do teu  voo.
a paz esconde-se algures entre as clareiras do painel que te rodeia.
não corras.
os teus olhos são a luz que ultrapassa todos os cometas na fragilidade da bússola do teu bico.
deleita-te com o jardim de erva fresca e flores selvagens.
olha e fica.
e se uma libelinha te visitar, fala-lhe das maravilhas só possíveis para quem sabe ler o rosto invisível do Mistério.
depois de alma branca parte.
e volta para me ensinares a ser  assim grande e saber  ler a tua paz.

Beijinhos!


terça-feira, 26 de maio de 2015

Pintura



Queria pintar-te de azul
queria pintar-te de céu
no in (finito) de mim.

                                         Manuela Barroso," Ensaios Poétrix-cos"


sábado, 9 de maio de 2015

Olhos



Olhos

Olhos de vidro
Janelas que eu habito
Paisagens que minha alma tem!

                                                  Manuela Barroso    



sábado, 11 de abril de 2015

Vultos




Espaço e Tempo numa enigmática "distância".
Lá, o mistério
Aqui, o Agora.
Permanece o Belo.
O Inquietante.


                     Manuela Barroso , "Acasos"

Adenda em 21-04: Amanhã dia 22-04, pelas 21H, estarei na Hora da Poesia, nesta rádio: http://www.radiovizela.pt/



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Páscoa



 Páscoa!
O Sol já entra pela janela da pele e recordei o meu recanto, no recato paterno! 

Uma Feliz Páscoa para Todos os Amigos/as.

Ah, manhãs frescas dos meus olhos,
tempo começando a acordar
ah, água fresca do regato,
borbulhas brancas,
correndo devagar!

ah, tardes quentes da minha aldeia
nos verdes prados dos meus campos
ah, sombras quietas dos meus choupos
e meu doce mar
de lírio brancos!

Ah, rouxinol sombrio,
andorinhas alegres dos beirais,
melodias do pisco vadio
ah, irrequietude dos pardais!

Ah, sinos longos da minha aldeia,
saudades na tarde calma,
nos olhos da lua cheia
via os olhos
da minha alma!

Ah, tempo que vai e vem
ah saudades do meu tempo
só não tem saudades quem
nada tem
no pensamento!

Manuela Barroso, “Eu Poético IV”
  

 Feliz Páscoa

segunda-feira, 9 de março de 2015

Charcos




Eis retratos de Vida...
...Flores que teimam nascer, crescer no meio do pântano!
O odor nauseabundo e putrefacto de água contaminada vinda do mais recatado e esconso canto, não as amedronta...
...E florescem num desafio ao belo e ao horrível!
...E a cor desafia as borbulhas enquistadas que se soltam do ventre das águas!
...E o encanto permanece lá, no amarelo... e a flor é igual a ela própria: Linda!
Não perdeu, nem brilho, nem encanto, nem cor, nem admiração!
Tornou-se mais ela, mais flor...
E...Flores e... as flores teimam em florir nos charcos podres, numa espécie de purificação!
Vida ou morte...
Desejo ou ambição...
Guerra ou paz...
...E o antagonismo permanece no reino vegetal tal como na Humanidade!
Ah! maravilhoso e enigmático mundo este!..
(reeditado)


Manuela Barroso

sábado, 10 de janeiro de 2015

Solitários


Não te julgues só.
Nasces e  agarras-te à terra segurando o teu destino. Mas sobes, altiva e serena à procura de Luz.
No teu caminhar outros passos se juntam aos teus. Em breve és exemplo e segue-te a multidão: nasceste para lutar, vencer e voar.

Manuela Barroso