Seguidores

sábado, 14 de janeiro de 2023

Voos


Tentamos abrandar o ritmo das pulsações  
procurando o afago e a suavidade das  águas. 
Logo nos debatemos com sinais vermelhos 
proibindo a liberdade do nosso voo. 
Cada vez que tentamos poisar, 
há o cheiro do charco que vai apodrecendo a alegria.


Texto e foto
Manuela Barroso

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Simplicidades de Inverno






     

Na amenidade deste inverno, num vaso da minha varanda, ia brotando uma semente. Proveniência desconhecida.
Foi crescendo e deu flor.
Fora do tempo da primavera de outras flores.
A curiosidade ia despertando sobre o fruto que ia sendo vigiado como um ninho:courgette, abóbora ou outro?
Ao lado uma orquídea florindo no tempo apetecido.
Sem sobressaltos.
Hoje a neblina matinal desceu fria, gélida.
A flor amarela recolheu a sua corola numa espécie de protecção, hibernação ou desconforto. Linguagens da natureza...
O fruto, fora de tempo, vai-se desenhando no abrigo ameno de outras folhas na esperança de não abortar até ser testemunho de si próprio.
E se nascer, colherei novas desta divagação que aqui ficarão.
Até lá...
… era uma vez uma semente clandestina de inverno…
 
Simplicidades…

Manuela Barroso 

 



 



sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Feliz Ano Novo

 




Que a Festa de o  Novo  Ano que agora começa, seja a esperança de outras alegrias.
Para todos os amigos e amigas, 
Feliz Ano Novo ! 







Ano Novo, data comemorativa do Ano que agora se inicia e que na perspectiva do meu tio, reza asim...



Ano Novo


Mais um ano se vai, de árdua labuta.
Outros virão, assim, como este vai:
Um filho, a que faltou boa conduta,
Enchendo, de desgostos, a seu pai.
 
Mas o homem, sinónimo de luta,
Se é verdadeiro, nunca se retrai.
Pois quem, na vida, hesita é como fruta,
Que, antes do tempo, amadurece e cai.
 
E, cada vez que o calendário diz
Que o velho vai e, um novo, começamos
(Esquecidos de tanta cicatriz),
 
Ingenuamente, ainda, confiamos!...
- Ninguém arranca a esp’rança da raiz,
Depois que, cá na Terra, nos plantamos…


Florentino Alvim Barroso, in "O Vento e as Ventanias"- Edium Editores. 2009

 

 






quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Feliz Natal

                                                                 FELIZ NATAL!






Hoje a saudade bateu à minha porta.
Peguei na criança que eu fui e embalei-a no pensamento das minhas memórias repletas de recordações...
...Eram dias frios e húmidos nas terras do Gerês.
A noite era o breu que cobria a aldeia entrecortada de pinheiros e eucaliptos.
O peito enchia-se do aroma purificador do pinho ácido enquanto a manhã crescia com a azáfama do Natal. Os adultos trocavam conversas sérias, feitas de doces e da ceia.
Mas... e o presépio?
Isso era com as crianças...
Então, descia os caminhos toscos, serpenteados por entre os pinhais que levavam ao rio.
As pedras penduravam-se verdes e viçosas. E eu colhia as pastas de musgo da face dos rochedos, deitados por entre os pinheirais.
...E nascia um presépio com cheiro a pinho, a musgo, a verdade...
Não tinha piscas de luzes  mas um único ponto fixo luminoso, recordando a mensagem de Belém.
...Nasceu um Menino que iria desinquietar os bem instalados na Terra.
...E a mesa crescia com a alegria da festa, e da festa dos sabores.
Meia noite.
O sapato mais bonito para o Menino Jesus! Era uma presença especial, pois claro!..
...E lá ia deitar-me vendo bem a posição do sapato, não fosse Ele esquecer-se...
Adormecia com o sapato e a ansiedade
...E mal nascia o dia, corria para a chaminé, pendurando a surpresa no coração...
...O Menino lembrara-se de..mim e a alegria era do tamanho da felicidade daquele instante!..
 
 
Manuela Barroso
 

  






quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Encontro Temático de Natal

 

  MINHA PARTICIPAÇÃO DO 2º ENCONTRO TEMÁTICO DE NATAL NO BLOG DO JUVENAL NUNES





                                                                   POEMA DE NATAL










É Natal      

( Soneto de Meu Tio)


É Natal…E, sobre isto, há uma história,
Cheia de paz a condenar a guerra.
- Uma lenda de Amor e de Vitória,
Duma criança, que nasceu na Terra.
 
Tinha vindo, do Céu, cantar a Glória,
Do Pai, que está no Céu e o Céu encerra.
- A pregar que esta vida é transitória,
Que o certo é perdoar, sempre, a quem erra.
 
Este conto, há milénios nos seduz.
Mas a verdade, toda, em tudo isto
(Como ferida gangrenando pus,
 
 De tanta coisa vil, a que assisto)
-É ter morrido, à toa numa Cruz,
A criança chamada Jesus Cristo…



 Florentino Alvim Barroso, in "Vento e Ventanias"- Edium Editores







 

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Coisas pequenas?

 

  
Tudo é imensamente belo e apaziguador neste chão que o Criador nos oferece. 
Depois de um estio deveras severo, eis que aparece um túnel refrescante atravessado por ninhos e dormitório de andorinhas. 
Tudo parecia incrivelmente belo neste patamar tão natural, rodeado de  musgos e chilreos com sabor a alegria e  liberdade


que se iluminou ainda mais quando a vista se alargou para  mergulhar neste azul, aqui ainda mais azul, que num extenso período de seca se fez oásis para uma alma sedenta de Luz, Água pura, Liberdade e PAZ.
E coisas pequenas se tornam tão incrivelente grandes...


Manuela Barroso



segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Longe...

 



 

Longe, 
espraia-se a paisagem nua de luz no encanto da planície 
onde se agitam  repuxos de perfumes  silenciosos 
de violetas selvagens,
no baloiço inquieto da aragem.  


Texto e imagem
Manuela Barroso

 



sábado, 14 de maio de 2022

Abro os olhos



 



Abro então os olhos e sinto quão grande

é a beleza deste cântico que sepulta a minha alma

num leito verde e florido, num eflúvio  que abarca

todos os sentidos e mata esta sede de abraçar os sons

deste Poema feito Vida e Mundo, Terra e Flores e Pássaros .


Texto e imagem

Manuela Barroso



terça-feira, 26 de abril de 2022

Abandonas-te


 

Abandonas-te na imensidão do crepúsculo

e de novo deixas em cada viagem o sol-pôr da saudade.


Manuela Barroso

(Imagem e texto)



domingo, 17 de abril de 2022

Páscoa Feliz




"Ser incréu custa muito! É dia de Páscoa. O gosto que eu teria de beijar também o Senhor, se acreditasse! Assim, olho a fé dos outros em aleluia, e fico nesta tristeza agnóstica que faz da vida uma agónica aventura sem esperança de ressurreição." 

 

(Miguel Torga, Diário XIII. Texto escrito em 15 de Abril de 1979)





Se a Tua existência não sensibilizou o coração dos Homens

que a Tua morte os desperte para o mistério da Vida.


Manuela Barroso



Feliz Páscoa para Todos/as

Manuela barroso