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domingo, 20 de março de 2016
Primavera
O Tempo não pede licença porque ele tem todo o tempo do mundo.
Ela, sim, espera o seu tempo para poder vestir-se com todo o esplendor, quando cobre os seus ossos com a juventude da carne florida.
Feliz Primavera!
Manuela Barroso
sábado, 12 de março de 2016
Fim de sol
Tudo se harmoniza com o Todo.
Nem cactos , nem os picos se desintegram da harmonia de um dia que morre em lenta e suave agonia. Cai a noite, sobe a lua, cai o manto .
E é no segredo natural de aparências simples que se esconde tanto encanto.
MBarroso
domingo, 28 de fevereiro de 2016
Esperando
Espero-te.
Não no compasso das estrelas, mas na noite que se faz dia em cada cair de sol.
Manuela Barroso
sábado, 23 de janeiro de 2016
Pensando...
Dar bons conselhos:
-" as pessoas gostam de dar o que mais necessitam. Considero isto a mais profunda generosidade "-Óscar Wilde
Talvez venha a propósito lembrar aquele aforismo..."Se os conselhos fossem bons, não se davam , vendiam-se..."
Dar conselhos é quase como que um "conceito"...mas dar uma opinião, envolve sinceridade, menos preconceito, mais de si mesmo!
É mais provável aceitar-se uma opinião que um conselho. O conselho envolve como que uma imposição subliminar-"deves".
A opinião envolve mais ternura, porque se opina, não é assertiva, será quando muito confirmativa. É como que um envolvimento do "eu" com o "tu" ,em que se procura dar o melhor de nós.
E quantas vezes o dar conselhos envolve a máxima " Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço."...Daí, estar latente aquele véu transparente da hipocrisia o que não acontecerá com uma opinião sentida.
Assim, a generosidade, implicitamente satírica, de que fala Óscar Wilde, não se revestirá do mesmo tom crítico quando se fala da opinião!
O Eu-pensante generoso, opinará
O Eu-egóico criticará...aconselhando...
Manuela Barroso
(reeditado)
Manuela Barroso
(reeditado)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Ter
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| Imagem da net |
Ter tanto não é ter muito...
Ter muito não é ter pouco...
Não ter pouco é ter bastante...
Ter bastante é mais que nada...
Nada ter
Menos que ser...
Ser, não é tanto,
Ser é tudo...
E tudo ser
E não ser nada
É ser pouco...
Não tenhas...
Sê!
Manuela Barroso, in "Inquietudes", Edium Editores
sábado, 7 de novembro de 2015
Quem sou eu...
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| Imagem da Net |
Quem sou eu, donde vim, para onde vou?
Serei quem sinto ser-me, quando sinto?Ou eu serei, apenas, esse absinto,
Que, outro bebeu e, a mim, me embriagou?
Ao pressentir, porque me pressinto,
Eu não sei se sou eu, ou se não sou.
De que consiste a minha realidade?
Um fantasma, que surge e me intimida,Como a mentira em face da verdade?
Página à toa lida e decorada,
Com palavras vãs se explica a Vida,Se, a ignorância, não explica nada?
Florentino Alvim Barroso, in "Vento e Ventanias", Edium Editores- 2012
( Tio)
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Ampulheta
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
E nós?
Cabeça amolgada em remendos de solidão.
Nas janelas da alma , cortinas sepultando o verde da esperança, sombras longínquas num longo vazio, num inatingível tão perto de ser presente. Pese o azul do horizonte à espera de novos prelúdios, a imagem permanece proibida nos olhos opacos, vendados em limbos no cárcere de peitos adormecidos. Sem uma sombra que seja, que engane a solidão.
De costas, para além de outras montanhas, a cidade grita e corre e rejubila e entoa canções de solidariedade perante os olhos opacos.
Como se não ouvissem.
Como se não sentissem o calor frio das palavras também elas, embaciadas.
A garganta-se levanta-se à procura do grito. Em vão. Ele afoga-se na confusão da multidão entontecida, embriagada de palavras coloridas.
E os lábios emudecem na berma das ruas porque não lhe dão voz.
Num último gesto, as mãos levantam-se, avivando a sua presença no clamor dos que não têm voz. São mãos quase disformes, flores que se erguem num grito mudo, reclamando igualdades.
...e permanecerão erguidas até que outras se moldem na fraternidade de um abraço.
Manuela Barroso, "Divagando"
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Mensagem
Bendito seja o chão que agasalha o meu sono
e apascenta o meu rebanho. bendita seja a Pátria
que me traz a quietude e apascenta a minha
paz. benditos todos os que por bem vierem
a esta abençoada terra onde ainda há pão,
se diz não à guerra.
que são meu sustento
para urze da serra.
…
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