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terça-feira, 9 de maio de 2017
Quis
quis abraçar o espaço
onde te escondes e
encontrei fogo nas
entranhas do teu amor
penetrei pelas espinhas
do tempo
sussurrei memórias
e na tempestade das estrelas
ouvi o teu nome
no horizonte das águas
vi sombras semeadas
de trepadeiras encostando-se ao infinito
abracei o teu sorriso
e alegria
e fui asa por uma dia
Manuela Barroso
sábado, 29 de abril de 2017
Poetrix
Num prado de azul feito
era um cavalo, uma nuvem
galopando em meu peito.
Manuela Barroso, "Poetrix-ando"
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Janelas de Vidro
Janelas de vidro
Sombras de metal
Nuvens fugidias
Pingas de cristal
Janelas de vidro
São olhos da alma
Leituras
do tempo
Palavras
ao vento
Sussurradas
com calma!
Tapetes de musgo
Sob os carvalhais
Rebentos escondidos
Em posições fetais
Janelas
de vidro
Escondidas
no peito
Lendo
a voz do vento
Silêncio em que me deito
Mas quem diria
Que por uma janela
A noite se faz dia
(Que arte mais bela!)
E traz
estrelas com ela!
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Loas ao Menino Jesus
LOAS AO MENINO JESUS
Hoje escrevo de branco
como o floco de neve
que cobre com o seu manto
as palhinhas ao de leve
Não acordem o Menino
acabado de nascer
num cantinho pequenino
onde ninguém quis viver
É nesta simplicidade
que Ele nasce sem trono
sem ouros e sem vaidade
que a beleza da humildade
é ter tudo como uma ave
ser o cântico da liberdade
não ser servo nem ser dono.
Foi a boa nova que trouxe
a doutrina que deixou
e como se fosse pouco
deu a vida porque amou!
Obrigada, meu Menino,
contigo nada mais foi igual
tão bom ser-se pequenino
Obrigada pelo teu Natal!
Manuela Barroso
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Ouve
Ouve
A noite perfumou-se de lua
e vestiu-se de branco.
e vestiu-se de branco.
Enquanto eu te
esperava
o vento esvoaçava
numa constante ousadia
o vento esvoaçava
numa constante ousadia
o véu
onde eu me escondia
da tua alegria…
da tua alegria…
Manuela Barroso
sábado, 19 de novembro de 2016
Leituras
domingo, 30 de outubro de 2016
Neste mar
Neste mar azul onde me invento
Nestas ondas de espuma branca a bailar
Sou o gavião garboso planando ao vento
Gritando liberdade pelo ar
Sou a areia quente que num abraço
Corre célere por entre os dedos,
Sou água fria, feita em pedaços
Sou a discreta anémona nos rochedos.
Sou da errante gaivota o piar
Sou concha morta na praia
Onde surdamente ainda se ouve o mar
Com a cambraia delicada do coral
E por entre esta renda de estrelas
Me escondo, deixo-me enrolar
Manuela Barroso, "Inquietudes", Edium Editores, 2102
domingo, 23 de outubro de 2016
Sonhos
Sonhos
Em sonhos de pedra azul
Me envolvi em
linho lua
E teci-te em noites
brancas...
Manuela Barroso, "Ensaios Poétrix-cos"
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Simplicidades-Férias
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A Natureza nos chama.
Dizemos que é tempo de férias, tempo de pausa, tempo de lazer, tempo de nada fazer...
Procura-se os lugares mais exóticos, explorando outras belezas noutras paragens.
"Muda de lugar pelo menos uma vez em cada ano"- diz Dalai Lama
E parte-se em busca de um chão que dá flores e pão que não é igual ao nosso...
Também pensei assim quando ao imaginar outro horizonte, veria nuvens diferentes com contornos acesos e vivos
Mas as nuvens só mudavam com os caprichos dos ventos ou com as cores mais cansadas da tarde.
A minha terra começava a ser dos emigrantes a fugir da saudade. Eu esquecia a saudade no torpor da rotina . Porém as casas toscas, velhas, "démodées" e abandonadas começaram a dar outro colorido a lugarejos vestindo- se de gente.
Comecei a perder-me no tempo e o tempo já não não fugia de mim.
Em cada canto, um poiso onde me refugiava na contemplação das pedras, e dos homens que fizeram este poiso onde pousava eu, agora os tédios e os convertia em louvores às mãos que me proporcionaram este recanto
Até a saudade do granito da minha Serra se fazia presente num tosco fontanário, lembrando as águas que corriam junto aos valados, onde me perdia, catando morangos silvestres...ao som do cantar dos grilos...
Sob um dossel verde em tranças de glicínias, mesas toscas onde eu satisfazia o meu desejo instintivo de me distender, ora nos bancos segurando o perfume das flores, ora ocupando toda a mesa como que numa libertação que antes me prensava.
As páginas do meu livro iam correndo moles, sob a quietude da sombra que me abrigava do bulício dos pardais.
Queria olhar o nada. Esquecer. Fazer parar o tempo.
Com o conforto que a sociedade de hoje exige, assim era a "minha casa", neste pedaço de sopé não tão verde como o meu Minho, mas onde já matava saudades. As pedras toscas sobrepostas e roçadas pelos pinheiros, davam o ar "négligé" a que o ar da montanha convida.
E o bichano, recostado no seu banco de pedra, completava o cenário campestre, que aos poucos se vai esquecendo.
...Deitada na rede, balançava-me na frescura da noite, ouvindo grilo e ralos numa miscelânea de cores de velas mortiças como um poema que dorme...
No silêncio desta balada, perdia o pensamento na vastidão do brilho acutilante das estrelas nesta escuridão.
Sempre na inquietação deste Eu em constante peregrinação.
O Vazio chama-me. A Fonte me acalma
Num areal luminoso , acende-se a lua .
E como que num derradeiro cântico ao dia que finda, a memória da Cruz, escrita na noite, decorando a paisagem nocturna.
Manuela Barroso
A todos os meus votos de Boas Férias
Até a saudade do granito da minha Serra se fazia presente num tosco fontanário, lembrando as águas que corriam junto aos valados, onde me perdia, catando morangos silvestres...ao som do cantar dos grilos...
Sob um dossel verde em tranças de glicínias, mesas toscas onde eu satisfazia o meu desejo instintivo de me distender, ora nos bancos segurando o perfume das flores, ora ocupando toda a mesa como que numa libertação que antes me prensava.
As páginas do meu livro iam correndo moles, sob a quietude da sombra que me abrigava do bulício dos pardais.
Queria olhar o nada. Esquecer. Fazer parar o tempo.
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E o bichano, recostado no seu banco de pedra, completava o cenário campestre, que aos poucos se vai esquecendo.
Conforme o dia ia descendo, os contornos reflectiam-se no espelho de água da piscina natural. As libelinhas iam pousando nas margens em contra-dança com as borboletas. Tudo era tão pacífico que me perdia mergulhada no tão pouco que me era tanto!
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Os pinheiros recortavam-se na noite que se fazia anunciar .
Nada bulia naquele fim de tarde sereno .
Dentro de mim descia também a noite. A nostalgia da infância crescia, sufocando-me...
Os mochos piavam , os morcegos contorciam-se neste anoitecer , atravessando o ar onde flamejavam insectos.
...Deitada na rede, balançava-me na frescura da noite, ouvindo grilo e ralos numa miscelânea de cores de velas mortiças como um poema que dorme...
No silêncio desta balada, perdia o pensamento na vastidão do brilho acutilante das estrelas nesta escuridão.
Sempre na inquietação deste Eu em constante peregrinação.
O Vazio chama-me. A Fonte me acalma
Num areal luminoso , acende-se a lua .
E como que num derradeiro cântico ao dia que finda, a memória da Cruz, escrita na noite, decorando a paisagem nocturna.
Manuela Barroso
A todos os meus votos de Boas Férias
domingo, 17 de julho de 2016
Origens
Longe, o mundo corre e a miséria humana expande-se.
O sossego é interrompido pelos estropiados e pelos famintos de tecto e de pão. Na impotência de dar a mão aos tresmalhados, caímos na exaustão a caminho de um abismo de que desconhecemos os contornos.
A cidade mais despovoada, torna-se um palco cada vez mais estranho. Fica uma sensação estranha de voltarmos às origens. Para tal basta -nos água e um berço, mesmo de pedra, onde um Calor mais completo mate esta fome de paz com cantos de pássaros e o redemoinho das águas.
Eh! tu que corres sem saberes para onde vais, espera-me na curva da estrada!
A vida pesa-me e antes que pare, quero matar a sede dessa água que te rodeia. Não quero mais nada...
Manuela Barroso
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