Eis a delicadeza das formas em sintonia com o gorjeio que anuncia os dias frescos de Outono.
As baladas e os trinados do pisco, acompanham os passos titubeantes de uma estação que se quer serena.
E ele, acompanha , tarde dentro, as vozes que se vão calando na calma do anoitecer.
As flores são o prenúncio da alegria e a tristeza de que tudo o que nasce, morre. Mas "enquanto dura, vida doçura" e delas nascerão outras alegria lembrando a nossa "perenidade" ...
Percorremos caminhos e constatamos que não é só o verão que nos traz a alegria do viço das folhas, a altivez robusta das árvores. Há bagas e frutos desafiando-nos com a sensualidade das formas e cores. Ora o vermelho da força e energia ...Ora o branco puro e doce, nas formas geométricas da harmonia...
...e num desafio como que esturricado mas colorido,a alegoria das vagens caindo em uníssono da pauta de um ramo onde a música agora é diferente. Mas continua igual aos sons que guardará na memória das sementes...
...quer em uníssono
...quer solitariamente.
quer na justeza de companhia discreta, pacifica.
Algumas flores não se deixam apagar ; conservam formas que atraem os olhares, numa cumplicidade que compromete a indiferença de quem olha como se tudo o que parece simples o fosse na realidade
...e lá vem o nosso guia, atento aos nossos passos, ensinar-nos os caminhos dos frutos maduros que restam e se escondem por entre as parras cada vez mais solitárias
E as castanhas ainda a dormir no ventre dos picos? No chão algumas se escondem por entre a relva já raquítica do outono. Ao longe, fumo sadio saindo por entre as telhas de casa solitária do monte. Uma a uma se vão colhendo como gotas de chuva, agora noutros Outonos mais sadios...
Mas o campo é uma oferenda para quem passa e haverá sempre algo no caminho matando sedes e curiosidades. Que o digam os melros, com direito a tudo que é novidade. E sobram figos para alegria de tudo o que vive: pássaros e gente.Tudo está de tal forma delineado, que não só, há flores, mas também, caprichos de flores.
O sol vai caindo mais suavemente, razão pela qual estes penachos que coroam a natureza, se afirmem agora, lembrando que há flores todo o ano , e que as mesmas , não vivam só no cativeiro dos jardins programados...
A Liberdade é preciosa demais, para não fazer parte do todo.
Fim de Outono.
Natal à vista na perfeição e aconchego das pinhas que nos convidam ao calor da intimidade do lar.
Tudo tem o seu tempo, sua beleza, sua transcendência.
Basta saber olhar
Ouvir respostas da nossa amiga consciência.
Manuela Barroso