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sábado, 7 de novembro de 2020

Flores-retratos

 
       
  Flores que teimam nascer, crescer no meio do pântano, charcos, lagos.
Não as amedronta o odor nauseabundo e putrefacto de água contaminada vinda do mais recatado e esconso recanto




O encanto permanece lá, no amarelo e lilás e a flor é igual a ela própria na sua purificadora beleza.
Não perdeu, nem brilho, nem encanto, nem cor, nem admiração!
Tornou-se mais ela, mais flor...


E...Flores e... as flores teimam em florir nos charcos podres, na aridez inóspita, numa espécie de purificação!


Eis retratos de Vida.
Flores que teimam nascer, crescer no meio do pântano, charcos, lagos.
Não as amedronta o odor putrefacto de água contaminada vinda do mais recatado e esconso recanto.
Florescem num desafio ao belo e ao incrível!
E a cor desafia as borbulhas enquistadas que se soltam do ventre das águas.
O encanto permanece lá, no amarelo e lilás e a flor é igual a ela própria na sua purificadora beleza.
Não perdeu, nem brilho, nem encanto, nem cor, nem admiração!
Tornou-se mais ela, mais flor...Longe da bajulação.
E...Flores e... as flores teimam em florir nos charcos podres, na aridez inóspita, numa espécie de purificação!
Vida ou morte...
Desejo ou ambição...
Guerra ou paz...
...E o antagonismo permanece no reino vegetal tal como na Humanidade!
Ah! Maravilhoso e enigmático mundo este!..
 
(reeditado)

Manuela Barroso
 

 


domingo, 17 de julho de 2016

Origens


Longe, o mundo corre e a miséria humana  expande-se.
O sossego é  interrompido pelos estropiados  e pelos famintos de tecto e de pão. Na impotência  de dar a mão aos tresmalhados, caímos na exaustão a caminho de um abismo de que desconhecemos os contornos.
A cidade mais despovoada, torna-se um palco cada vez mais estranho. Fica uma sensação estranha de voltarmos às origens. Para tal basta -nos água e um berço, mesmo de pedra, onde um Calor mais completo mate esta fome de paz com cantos de pássaros e o redemoinho das águas.

Eh! tu que corres sem saberes para onde vais, espera-me na curva da estrada!
A vida pesa-me e antes que pare, quero matar a sede dessa água que te rodeia. Não quero mais nada...

Manuela Barroso


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Instintivamente


 Um comportamento de vincada  presença.
Muitas vezes temos que fazer ouvir bem alto a nossa voz para obrigar a despertar

sábado, 3 de outubro de 2015

E nós?


Cabeça amolgada em remendos de solidão.
Nas janelas da alma , cortinas sepultando o verde da esperança, sombras longínquas num longo vazio, num inatingível tão perto de ser presente. Pese o azul do  horizonte à espera de novos prelúdios, a imagem permanece proibida nos olhos opacos, vendados em limbos  no cárcere de peitos adormecidos. Sem uma sombra que seja, que engane a solidão.

De costas, para além de outras montanhas, a cidade grita e corre e rejubila e entoa canções de solidariedade perante os olhos opacos.
Como se não ouvissem.
Como se não sentissem o calor frio das palavras também elas, embaciadas.

A garganta-se levanta-se à procura  do grito. Em vão. Ele afoga-se na confusão da multidão entontecida, embriagada de palavras coloridas.

E os lábios emudecem na berma das ruas porque não lhe dão voz.
Num último gesto, as mãos levantam-se, avivando a  sua presença no clamor dos que não têm voz. São mãos quase disformes, flores que se erguem num grito mudo, reclamando igualdades.
...e permanecerão erguidas até que outras se moldem na fraternidade de um  abraço.


Manuela Barroso, "Divagando"


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Amar


Imaginação fértil!
Talvez...
... ou talvez a busca constante de auscultar o que está para além de nós.
E o que chamamos inerte, é feito  das mesmas partículas, os mesmos átomos  de que somos parte e que pensaram em nós desde o  tempo que ultrapassa o nosso  entendimento .
A perfeição de tudo o que existe é demasiado complexa para que o Belo seja um acaso. Talvez o acaso da Incompletude no mistério que nos passa despercebido na própria Natureza!

E "vi"  aproximei-me , "confirmei" e sorri!
Dois "seres inanimados", num gesto de ternura, alheios ao mundo pequeno que se degladia.
Um mais "frágil" com um rendilhado de flores, lembrando a pretensa debilidade feminina.
O outro, mais amplo no seu "corpo" protetor, não vacilará,  como a  rocha-irmã onde se encosta.

E não se preocupam com o amanhã.
A casa é o  infinito no azul do horizonte, no jardim de flores brancas escorrendo pelas escarpas.
O amanhã é o hoje, na alegria com aque vemos o dia!



Pausa...
...para escutar o que se esconde por detrás do véu...

Boas Férias para todos/as


    Manuela Barroso


sábado, 25 de julho de 2015

Sentinela...


Os mistérios escondem-se aos olhos que olham, não aos olhos que teimam ver. Acomodamo-nos às pedras toscas, sem formas, sem mensagem.
O Homem ainda não esculpiu o seu pensamento com o cinzel do seu olhar.
Caminhamos indiferentes ao que é" invisível aos olhos" na pressa incontida de inaugurar as exposições da criatividade humana. E tudo se torna normal, correto, num evento social com pupilas que se retraem a cada flash, a cada  gesto de exaltação física de admiração.
E o Homem, naturalmente, cresce com o fruto da sua concentração agora  visivelmente concreta , física, "palpável".
...e passamos e olhamos...
...e não vemos.

Os passos ficam escritos no solo, deixando as memórias impressas na areia que em breve os apagará. Mas não as memórias encondidas em cada pegada .Essas continuarão...
Em contra-luz, como que se esquivando à beleza do painel que preenche a tela, em algodões  de óleo macio, nos tons quentes da quietude de fim de tarde, uma rocha aparentemente disforme.
Olho. Volto a olhar e tento ver, decifrar...
...E  indiferente ao bater das ondas, guardando, o céu e areal, li um fiel amigo, cabeça erecta, patas bem assentes nos rabiscos da areia,  vendo o resto dos homens a correr, a passear, estendendo o seu olhar atento, entre o sol longo e o mar.
Que disse que o "essencial é invisível as olhos"?
E há tanto para admirar!

Manuela Barroso, "Divagando"


quinta-feira, 24 de março de 2011

PRIMAVERA



São os primeiros sorrisos do tempo que começa a acordar!
Não são fotografias com a pose de um modelo fotográfico...
Mostram antes a rusticidade de um quintal que não pede licença para sorrir nem para passear pela casa!
E é na simpicidade da flor que dará fruto, e na beleza de uma flor que se envaidece com a cor...que aqui deixo a simplicidade do gesto em flor...flores do meu quintal!
Bendita sejas Primavera!

"Assim como a primavera é muito amada pelas árvores, pássaros e peixes... Você não conhece sua primavera espiritual íntima. Ela ainda não veio, você ainda não a convidou. A primavera exterior vem e vai, vem e vai, mas a primavera interior só vem e nunca vai. É uma primavera eterna. Suas flores são flores da eternidade.
Uma vez iluminado você fica para sempre iluminado. Não há nenhum modo de voltar atrás. Quão mais esplendorosa e quão mais milagrosa será a primavera interior! Mesmo a exterior é tão grande; a interior não é apenas quantitativamente grande, ela é também qualitativamente grande.
A busca da verdade é a busca da primavera interior. "
OSHO.