espraia-se a paisagem nua de luz no encanto da planície
onde se agitam repuxos de perfumes silenciosos
de violetas selvagens,
no baloiço inquieto da aragem.
Abro então os olhos e
sinto quão grande
é a beleza deste cântico
que sepulta a minha alma
num leito verde e florido,
num eflúvio que abarca
todos os sentidos e mata
esta sede de abraçar os sons
deste Poema feito Vida e
Mundo, Terra e Flores e Pássaros .
Texto e imagem
Manuela Barroso
Abandonas-te na imensidão do crepúsculo
e de novo deixas em cada viagem o sol-pôr da saudade.
Manuela Barroso
(Imagem e texto)
"Ser incréu custa muito! É dia de Páscoa. O gosto
que eu teria de beijar também o Senhor, se acreditasse! Assim, olho a fé dos
outros em aleluia, e fico nesta tristeza agnóstica que faz da vida uma agónica
aventura sem esperança de ressurreição."
(Miguel
Torga, Diário XIII. Texto escrito em 15 de Abril de 1979)
Um nó ou um escape?
Não adianta a fuga se não há outro refúgio. Ou haverá? Talvez haja refúgios. Ou para fugir ao pesadelo, ou para procurar a paz, ou como esconderijo. Mas aqui já não é refúgio. É prisão.É a miserável condição de falta de liberdade. Ou in-justiça? Os justos não temem e sofrem menos por terem a inocência a seu lado; os injustos são os errantes , cedo ou tarde dormirão na teia que teceram.
E vive-se neste nó que não nos pertence mas que nos sufoca . E fazemos parte dele. Não podemos fugir porque nos ata.Oprime.
E se pudéssemos escapar?
E voltamos ao refúgio/ esconderijo dos indigentes de paz.Frio. Vazio
Mas queremos o REFÚGIO, o nosso refúgio por que lutamos, pelo refúgio construído e idealizado por nós, pelo nosso trabalho e construído pelos nossos sonhos. Sonhos cada vez mais pesadelos que amordaçam os dias cada vez mais acelerados . Será possível ainda o sonho?
Será esse o túnel por onde sairemos à procura de luz.
Imagem e texto de
Manuela Barroso
Deixa - me olhar -
te, flor minha.
Não há calvário nem dor
No trilho do teu caminho
Embora rocha e azul
Sejam as penas do teu ninho .
Imagem e texto: Manuela Barroso
12/11/2021
Descansa os teus olhos na minha mão
onde as conchas e as flores serão o teu pão.
E se te acenarem com bandeiras
de promessas falsas que não queiras,
escuta o azul de ti e diz, não.
Imagem e texto
de
Manuela Barroso